COMO A GUERRA CONTRA O SPAM ESTÁ LIQUIDANDO A INTERNET!
No nosso site, em
http://webhitcenter.com/spam1.html
expressamos em 5 (cinco) partes nosso entendimento sobre o SPAM. Lá deixamos
claro que, embora estritamente contrários ao uso do Spam, não compartilhamos
com o fanatismo que impera nos grupos Anti-Spam e que acaba por contaminar toda
a Internet estabelecendo uma política inteiramente antidemocrática para lidar
com o problema. Aqui não só estaremos reafirmando esta posição como traremos
fatos que comprovam que esta atitude pode conduzir à liquidação da Internet
como instrumento viável de comunicação cultural, política e comercial.
O email é a ferramenta mais popular e mais utilizada online e é considerada
como a de maior sucesso nas comunicações desde o advento da televisão. Ao final
de 2001 existiam cerca de 900.000.000 de contas de email sendo que praticamente
a metade nos E.U.A., com uma média de 4 contas por pessoa.
Enquanto a grande maioria de nós a utiliza corretamente existem alguns milhares
de pessoas que abusam do sistema causando problemas para todos e comprometendo
o futuro desta poderosa ferramenta.
OS SPAMMERS SÃO OS INIMIGOS DE TODOS NÓS,
MAS EXISTE COMODIDADE NOS DOIS LADOS DA RUA.
Os spammers utilizam-se de técnicas de abuso bastante conhecidas.
- Valendo-se de softwares de coleta de emails que varrem a Internet em busca
dos endereços encontrados sob o comando mailto:
- Vendendo endereços coletados de uma lista opt-in para alguém que na verdade
não recebeu uma autorização de envio;
- Comprando CDs com milhares de endereços e depois solicitando as pessoas a se
retirarem ao invés de entrarem na lista.
Reconhecemos que os spammers causam muito aborrecimento, especialmente para as
pessoas cujo objetivo na Internet não tem relação com atividades de marketing
ou mesmo comerciais.
Por outro lado, a atitude comodista, do público em geral, tem causado novos
tipos de problemas para todos nós. Na sua guerra particular contra o spam, os
usuários de contas de email, constantemente, sugerem que seus provedores de
internet (ISPs) devam cuidar do problema para eles.
A resposta dos ISP traz problemas adicionais, às vezes piores.
Colocando a responsabilidade do controle do spam nos ombros do provedor de
internet, ao invés de simplesmente pressionar a tecla delete, nós abrimos uma
caixa de Pandora. Na verdade os provedores não podem fazer muita coisa para
bloquear a maré de spam. Mas diante de tantos clientes furiosos se sente forte
o suficiente para buscar uma solução para o problema, normalmente draconiana.
Os provedores têm duas opções:
- Inclusão na lista negra
(RBL- Realtime Blackhole -
http://mail-abuse.org/rbl/
- Instalação de Filtros de Email
Nenhuma das suas soluções é perfeita. Na verdade são soluções paliativas para o
problema do spam.
COMO FUNCIONA O FILTRO PARA SPAM
Para entender o dilema criado pelo uso de filtros na guerra contra o spam
precisamos primeiro entender como funciona o filtro de spam. É importante
compreender que na realidade os filtros são programas aplicativos e programas
não são intuitivos! Enquanto alguns aplicativos podem parecer intuitivos, a
ilusão existe apenas porque a mente do programador foi capaz de prever seus
desejos para o uso do programa. Programas de filtragem são constituídos de uma
série de regras que visam determinar a semelhança de uma mensagem analisada com
um spam. Vejamos algumas das regras básicas que os filtros de spam seguem:
1- Servidor de origem da mensagem é diferente do servidor de mensagens do
endereço default do remetente; então pode ser spam;
2- Se a mensagem é enviada para mais de 25 pessoas; então pode ser spam;
3- Se a mensagem é proveniente de determinados servidores; então pode ser spam;
(esta é a única regra seguida pela RBL)
4- Se a mensagem é proveniente de um determinado país TDL top level domain);
então pode ser spam;
5- Se certas palavras aparecem no campo Subject ou no corpo da mensagem; então
pode ser spam.
(É aqui que o problema real começa)
Está aberta a Caixa de Pandora da Guerra contra o Spam. Os provedores que
utilizam a opção de filtragem instalarão um filtro somente na entrada das
mensagens, somente na saída ou uma combinação das duas soluções. Como a quinta
regra básica é a mais utilizada entre os provedores, cada um deles estabelece
uma lista de "palavras-spam" as quais são esquadrinhadas pelo
programa.
Listamos algumas das palavras mais comuns nos filtros. Misturamos algumas
palavras em inglês com palavras em português pois esta 5ª regra é das mais
usadas no Brasil, pelo menos pelos provedores de grande porte.
- HGH
- DVD
- Pornô
- Million
- Billion
- Viagra
- Casino
Casos, verdadeiramente, incríveis e inacreditáveis de filtragem já foram
reportados por especialistas, especialmente por detentores de Ezines na
Internet. Palavras como "gold" e expressões como "Payment
Received" já teriam sido filtradas. Internet é comunicação. Nada mais
simples e esta 5ª regra mata com a comunicação.
O problema com a filtragem dos provedores é que estes não podem adivinhar o que
queremos ler e o que não queremos ler. Qualquer provedor por menor que seja tem
clientes que usam a Internet para propósitos comerciais, comunitários,
familiares, pesquisa e uma dúzia de outros objetivos. A filtragem prejudicará
todos os segmentos pois o provedor não poderá fazer um bloqueio seletivo por
atividades e assim todos os tipos de "palavras-spam" serão bloqueadas
para o espectro total.
Nós, profissionais ou interessados pelo marketing online temos a tendência de
assinar ezines de vários assuntos que nos interessam. Infelizmente, uma grande
quantidade de ezines está sendo bloqueada pelos provedores porque estas tendem
a se enquadrar em pelo menos dois dos critérios na maioria dos filtros de spam
(#1, #2 e algumas vezes #5).
Mais uma vez, a 5ª regra, é a mais perigosa.
Os spammers estão se utilizando de cada vez mais palavras novas que são comuns
em seus emails e os provedores estão começando a bloquea-las. Posso quase
garantir que se seu provedor desligar o filtro por cerca de um mês você
começara a receber Ezines que assinou no passado mas que nunca as viu em sua
caixa postal. Seguramente, você encontrará também uma grande quantidade de spam
adicional, mas ao lado deles também verá material que gostaria de ter recebido
e que foi bloqueado pelo seu provedor.
Portanto, se deixarmos o nosso provedor fazer a filtragem para nós estamos
fadados a receber apenas aquilo que nosso provedor nos deixar receber. Tão
simples como somar dois mais dois.
Temos três opções:
1. Revertemos a onda da comunicação controlada pelo provedor de acesso e
aceitamos nós mesmos a responsabilidade de configurar nossos filtros para
eliminação do lixo de nossas caixas postais.
2. Continuamos a confiar ao provedor a filtragem do spam através de inclusões
de novas palavras em sua lista de "palavras-spam", eliminando
qualquer controle pessoal nas comunicações.
3. Forçarmos nosso provedor a adotar uma metodologia de filtragem a partir de
palavras chaves escolhidas pelo usuário. Já existe no Brasil provedores que
trabalham desta maneira, filtrando seu tráfego e protegendo o usuário do spam.
Reverter A Onda Requer Algum Esforço De Nossa Parte.
Nossos provedores tem assumido por muito tempo o papel de nosso "Big
Brother" para vigiar a maré de spam, nos tratando como crianças que devam
ser protegidos dos idiotas que estão tentando destruir esta incrível ferramenta
de comunicação.
Para revertermos o jogo, teremos que assumir algumas responsabilidades no
controle de nossa comunicação.
Primeiro, temos que aprender a usar as ferramentas incluídas em nossos
programas de email as quais nos permitem estabelecer os filtros. Após alcançar
o entendimento básico sobre isto devemos avançar para o passo seguinte.
No passo seguinte temos que contatar o Provedor e informá-lo de que desejamos
assumir o controle nós mesmos. O nosso provedor tem que entender que
NÃO DESEJAMOS
que eles estabeleçam filtros em seus servidores de email. Precisamos enfatizar
que nós mesmos temos que decidir aquilo que queremos ler e o que não queremos
ler. Precisamos deixar claro que preferimos usar nossas teclas delete ao invés
de confiar que seus filtros não bloquearão alguma comunicação que possamor vir
a julgar importante.
Eu, ou você sozinhos não conseguiremos convencer nossos provedores a jogar no
lixo a política de agir como nosso "Big Brother Online", mas quando
muitos de nós começarmos a exigir comunicações abertas, os provedores serão
obrigados a rever posições se não quiserem amargar a perda de clientes. Se
permitirmos que os provedores cresçam seus controles de filtros sem oposição
estaremos, eventualmente, liquidando o valor real do email como ferramenta de
comunicação.
E assim, a guerra contra o spam acabará por matar não só o spam mais o
instituto do email propriamente.
E aqui precisamos deixar claro que não cabe o argumento de que o filtro do lado
apenas do usuário não resolve o problema do tráfego pois a metodologia indicada
no item 3 acima resolve a questão, cortando o spam antes da entrada no
servidor. Um dos provedores mais antigos, criado a partir de uma BBS, o Inside
Information System (
http://www.iis.com.br
) do Rio de Janeiro, oferece esta opção a seus clientes através de uma
ferramenta denominada NO SPAM, totalmente controlada pelo usuário.
Conforme frisamos no início deste artigo, já alertamos em nosso site em
http://webhitcenter.com/spam1.html
, desde 2000, que os rumos da guerra anti-spam estão mal orientados. Na
pesquisa para elaboração deste artigo acabamos por tomar conhecimento de mais
uma site/organização de combate ao spam, que embora detentora de uma idéia
original, bastante apropriada para o combate ao spam, desenvolve uma política
bastante intolerante colocando em um mesmo saco spammers e, eventualmente,
ezines ou newsletter sérias, ao aplaudir atitudes de provedores que limitam o
envio de emails a 100 emails em 24 horas. Seria uma variante da regra #2
listada acima. Trata-se do Museu do Spam,
http://museudospam.subversao.com
.
Como sustentar uma Ezine em um provedor com este tipo de limite? Ou será que
manter uma Ezine, que registra seus assinantes apenas por expressa vontade dos
mesmos, também é spam na ótica destas organizações? A maioria dos sistemas de
administração de envio de email para Ezines e listas dispõe de dispositivos
para enviar mensagens em "batch", contornando a regra #2. Mas como
superar o limite de 100 emails por dia? A Ezine estaria morta em um provedor
que estabelecesse um limite destes.
Como vemos, não podemos aceitar uma retórica que utilize regras gerais para
categorizar um usuário como spammer. É preciso humanizar um pouco a metodologia
anti-spam atrelando-a com dispositivos fundamentais do direito humano como por
exemplo o direito de ampla defesa. A máxima anti-spam; "Spam é definido
pela visão de quem recebe o spam" é uma das assertivas mais draconianas
desta guerra e alimenta atitudes injustas de revanchismos e vinganças.
Ou os usuários da Internet, de todos os matizes, se convencem que a guerra
anti-spam precisa de uma mudança de rumos ou extinguiremos o instituto do email
juntamente com o spam.
Este artigo pode ser republicado desde que a caixa de créditos abaixo esteja
incluída ao final do artigo, com os links, devidamente, ativos:
Artigo escrito por Mário Porto.
Mário Porto é responsável por um dos mais reconhecidos e respeitáveis
sites sobre Internet Marketing na Internet brasileira.
http://webhitcenter.com
.
Próximo Artigo
-->