A INTERNET BRASILEIRA E A BUROCRACIA

Na final da década de 70 houve um esforço nacional para derrubar o monstro da burocracia que aterroriza nossas repartições oficiais e espalha o vírus da ineficiência também em entidades de direito privado. Tivemos até um Ministério Extraordinário para a Desburocratização, ocupado por Hélio Beltrão quando concebeu e deu início à sua obra maior, um revolucionário programa de simplificação e eliminação da burocracia que se impunha aos cidadãos e às empresas.

Segundo opinião de membros do Senado em pouco tempo, o programa fortaleceu a Federação e os municípios, estimulando a desconcentração do poder, e propiciou a supressão de mais de 600 milhões de documentos, exigências e formalidade por ano, embora o grande desafio de desburocratizar o Brasil ainda está posto para as gerações atuais.

Realmente parece que este monstro tem muitas vidas e se fortalece e sofre mutações mesmo com o advento da alta tecnologia e ainda nos assola influenciando aspectos da gestão na Internet brasileira.

Vejamos por exemplo o registro-br. Em que pese a facilidade para se efetuar um registro, isto devido a automação propiciada pela Internet, somos regulados por normas burocráticas e sem nenhuma razão eficaz. Porque, por exemplo, a exigência de CNPJ no registro com.br. Não conseguimos vislumbrar o que tinham em mente os organizadores do Comitê gestor quando criaram esta exigência. Proliferam na internet registros com CNPJ que não tem relação com a atividade do responsável pelo mesmo. Basta uma pessoa indicar um CNPJ válido é obtém um registro com.br sem ser o real responsável por aquele CNPJ.

Outro efeito desta exigência estúpida é o prejuízo para atividade de trabalho em casa ("homeworks"). É como se o Comitê Gestor considerasse que todo trabalho em casa ou é fraudulento ou não gera valor econômico. É bem verdade que no Brasil a expressão "Trabalho em Casa" acabou se tornando pejorativa devido a uma grande empresa de marketing de rede que usa esta expressão entre seus distribuidores. O fanatismo dos distribuidores da Herbalife acabou por trazer uma dose de descrédito para este termo.

Mas precisamos lembrar que nos E.U.A., aonde não existe esta conotação, em que pese os inúmeros programas fraudulentos (scans), inúmeros homeworks tornaram seus negócios em empreendimentos de sucesso gerando atividade econômica de valor considerável. Poderíamos citar vários aqui, mas escolho, especialmente, o Jim Daniels da BizWeb2000 ( http://www.bizweb2000.com/Default.htm ) hoje um dos grandes gurus do Marketing na Internet.

Parece que quando mais se procura regular mais favorecemos as fraudes. Nos E.U.A registra-se um domínio .com sem qualquer exigência de certificados como o CNPJ. Além disto existem várias opções para registro não caindo tudo nos braços de uma só organização como é o caso do registro-br que gerencia algo como R$ 60 milhões por ano.

É certamente esta facilidade que ajuda o desenvolvimento de negócios online que acabam por oferecer toda sorte de suporte para os internautas. Com esta facilidade proliferam idéias novas de sites e sistemas. Experimente, por exemplo, fazer uma pesquisa na internet brasileira sobre sites que oferecem ajuda para a criação de Ebooks, uma excelente ferramenta de marketing online. Você simplesmente não encontrará. Faça a mesma pesquisa não limitada ao Brasil. Você ficará surpreso com as facilidades que encontrará, desde programas completos de criação de Ebooks até ferramentas para, simplesmente, criar as capas gráficas destes mesmos Ebooks.

Mas a burocracia não se limita apenas ao famigerado Comitê Gestor e suas miríades de categorias. Alguém conhece um fnd.Br? Já tivemos ocasião de mostrar em nossa ( WebHitNews22 ) como a burocracia e o cartorialismo estão influenciando a certificação digital no Brasil.

Naquele artigo escrevemos que "o PL 1.589/99 coloca o Brasil na contramão da tendência mundial de deixar à iniciativa privada a condução do comércio eletrônico em geral, e da atividade de certificação em especial, como instrumento de formação de um mercado aberto e competitivo, criando um sistema caracterizado pelo favorecimento de uns poucos (tabeliães) e insistindo em manter viva essa tradição cartorial, que está mais interessada na manutenção de certos privilégios do que na eficiência dos sistemas públicos de informação."

Como vemos, Helio Beltrão jamais poderia imaginar que em 2003, em plena era da grande rede, a burocracia continuasse a nos assolar como em 1970.


Artigo escrito por Mário Porto.
Mário Porto é responsável por um dos mais reconhecidos e respeitáveis sites sobre Internet Marketing na Internet brasileira.
em: http://webhitcenter.com





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